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O LUGAR DA ALMA


A pesquisa científica sobre a mente começa a assumir conceitos que a tradição esotérica havia formulado pela intuição, há milênios. A existência de uma identidade imaterial humana e sua relação com o corpo é um de seus grandes temas.


Luisa Alba

(Año Cero, núm. 128)

 

Tradução:

Wilson Mello Franco

 

A crença na existência da alma é inerente à humanidade. Em todas as civilizações encontramos a convicção de que existe e essa força governa igualmente a vida e o pensamento, sob a forma de um “duplo oculto” que habita o corpo e o abandona após a morte. Nas representações primitivas é assimilado ao sopro ou alento (em analogia com a respiração), ao fogo (energia) e a uma sombra pressentida ou vislumbrada durante o sonho ou em estados alterados de consciência. Desde sempre os seres humanos tem especulado  qual podia ser sua localização no organismo. Algumas antigas culturas a situaram no coração, outras no fígado e, finalmente, se associou ao cérebro.

 

Alma e razão

 

Para Descartes o corpo funcionava como uma complicada máquina seguindo as leis físicas. Pelo contrário, o espírito - que este filósofo do século XVIII chamou razão - não ocupava lugar algum. Todavia, situava a sede da alma na glândula pineal, a partir de onde esta enviaria suas mensagens ao corpo. A partir da distinção de Kant entre o “Eu psíquico” (entendimento) e o “eu como alma” (consciência) se lhe associou à inteligência e ao pensamento. Para os filósofos materialistas do século XVIII e XIX (Helvetius, Diderot, Moleschott) alma é sinônimo de razão, e o produto mais elevado da atividade do cérebro humano.

 

      Todavia, a “Filosofia da Vida” do século XX (Scheler, Jaspers, Klages) novamente faz distinção entre alma e espírito, atribuindo os atos racionais que expressam objetividade e transcendência ao segundo, enquanto os atos emotivos provinham da primeira. A questão fundamental que ainda debatem cientistas e filósofos é se o homem é só uma máquina biológica, cujo cérebro gera o pensamento, ou se é o espírito o que -  manifestando-se como alma no corpo físico - lhe permite essas consecuções.

Para alguns filósofos e biólogos contemporâneos é a consciência do “eu” a chave de nossa diferença com os animais e a fronteia entre a mente e corpo: uma manifestação da existência da alma. “A autoconsciência nos facilita e possibilita a capacidade de raciocínio, ordenar as emoções e regular os sentimentos. Se há de existir um nexo entre corpo e mente, bem poderia ser a consciência ou alma, explica o neurologista Antonio Damasio em seu livro Emoção e Conhecimento.

 

Na mesma linha que Gurdjieff e outros mestres espirituais, o catedrático de psiquiatria José Luis González de Rivera, diretor do Instituto de Psicoterapia e Pesquisa Psicossomática, opina que a alma é uma potência com a qual todo individuo nasce, suscetível de ser desenvolvida ou não no decorrer da vida: “Penso que o homem é um animal perfeito com uma potência que é a autoconsciência e que lhe permite se dar conta de sua existência e transcendê-la, sobrepujando os condicionamentos próprios do mundo animal. Então, a partir do desenvolvimento dessa autoconsciência se vai desenvolvendo a alma. Portanto, esta não é algo que o indivíduo traz consigo quando nasce, mas uma possibilidade que pode ou não desenvolver”.

 

      Segundo essas hipóteses, o homem seria um passo evolutivo entre o animal mais próximo - os primatas superiores - e o ser espiritual, com a diferença de que ao nascer traz os instrumentos necessários para poder desenvolver uma alma e o animal não.

“Estamos ante uma criação pessoal que surge a partir da consciência de si mesmo - sustenta González de Rivera. À medida que alguém desenvolve a autoconsciência, esta se expande como uma energia pelo corpo e a mente, formando um todo unificado: uma essência que interpenetra o ser humano. Segundo seu nível de desenvolvimento, essa autoconsciência prima mais ou menos sobre o corpo e a mente. No caso dos místicos, lamas e outras pessoas que conseguem manter esta lucidez como estado de consciência mais ou menos permanente, observamos que são capazes de autossugestionar seu ser, em maior ou menor medida”.

 

Segundo esta hipótese, caberia se perguntar se os deficientes e doentes mentais estariam excluídos desta possibilidade de desenvolvê-la, ao que o doutor González de Rivera responde:

“Os doentes mentais possivelmente não necessitem da mente para desenvolver sua alma; a mente desempenha só um papel instrumental; é um recurso que se dá ao animal-homem para desenvolver sua alma através da autoconsciência. Mas creio que existem outros instrumentos para fazê-lo. Desconhece-se o mundo das vivências de um deficiente ou de um doente mental, mas vemos que essa vivência existe, desenvolvem aspectos que são eminentemente espirituais, como a capacidade criadora, a inteligência emocional ou a afetividade. Entendo que os parâmetros mentais pelos quais a pessoa considerada normal se desenvolve para desenvolver sua alma não hão de ser os únicos nem os idôneos”.


            Nesta linha, cabe se perguntar também se a distinção divisória entre o ser humano e o animal não é só um prejulgamento. Em numerosos experimentos com chimpanzés, como os levados a cabo por J. H. Overstrom no Óregon (EUA), se comprovou que estes primatas, ao serem colocados diante de um espelho conseguem reconhecer a si mesmos, manifestando isso com trejeitos e inspecionando partes de sua anatomia. De fato, segundo investigações recentes sobre o patrimônio genético, compartilhamos uns 98% de ADN com os chimpanzés. Somente centenas de genes nos separam deles e só uns 50% são responsáveis pelas diferenças cognitivas.

 

      Os neurobiólogos só puderam localizar no cérebro as áreas correspondentes a determinadas atividades como a fala, a visão, etc., mas não a origem das funções cerebrais. Karl Pribam, neurocirurgião da universidade de Stanford, opina que não existe uma zona do cérebro que abarque a memória ou a inteligência, mas que estas se acham em todas as partes de tal órgão. Como ocorre em um holograma (imagem tridimensional criada mediante laser que reproduz fielmente um objeto), a informação está uniformemente repartida: cada ponto contém a imagem do todo. Se se destrói parcialmente uma placa holográfica, qualquer pedaço da mesma permitiria reproduzir a imagem total.

 

      Nesta teoria, a ciência e a percepção dos místicos se integra. Para Pribam existe uma ordem espiritual no Universo. Com sua revolucionária teoria da mente holográfica, chegou possivelmente ao lugar da alma. Inspirou-se nos trabalhos de Karl Lashley, que descobriu que as memórias não se gravam num ponto isolado do cérebro, mas numa zona do mesmo, de tal maneira que, ao extirpar parte dessa zona, a memória ainda se poderia recuperar. Isto sugeriu a Pribam a ideia do funcionamento global do cérebro e o levou a postular que este tem acesso a um domínio de frequência holístico que transcende o espaço e o tempo. Mas a meta da neurobiologia conservadora consiste em poder chegar a explicar que todos os processos mentais, conscientes ou subconscientes, se devem somente a mecanismos fisiológicos e não a que exista uma essência espiritual.

 

Em contraposição, outros entendidos argumentam em defesa da realidade da alma, porque a seu juízo o cérebro não é um produtor de energias, mas um receptor de estímulos, que logo se traduz em dados para nossa consciência. Mas essas energias viriam de um campo não mensurável. Portanto, tal órgão não seria a causa do pensamento, mas um meio através do qual este se expressa.

 

      Desde um ponto de vista parapsicológico, o jesuíta Francois Brune explicava em sua última visita à Espanha: “A existência da alma toca literalmente a nós que investigamos no mundo do paranormal. Os estudos realizados sobre psicoimagens e psicofonias nos permitem dizer que são manifestações de uma realidade: a sobrevivência do espírito. As mensagens, por seu conteúdo, nos falam de coerência mental, o que quer dizer que a alma não é só o que permite a vida, mas também os intelectos.

 

      Um ser pluridimensional


           
É o homem uma máquina construída com materiais biológicos? Ou é possuidor de um alento divino, a imagem de Deus, capaz de programar seu próprio cérebro? Esta é a velha questão que se debate nos âmbitos científico e filosófico há séculos. Segundo a Teosofia, o homem é um ser pluridimensional constituído por sete corpos sutis que correspondem a sete planos de existência: físico (mineral), etérico (vegetal), astral (animal), mental (homem), causal (sábio), búdico (iniciado) e atmico (deus). O corpo físico é matéria; o etérico, vida; o astral, consciência; o mental, memória; o causal, pensamento; o búdico, contemplação; e o atmico, identificação com a divindade. A alma animal se assenta no corpo mental, a humana no causal e a espiritual no búdico.

 

      O modelo é coerente com os conceitos que tanto o doutor González de Rivera como outros cientistas e investigadores lidam. Todo ser humano sempre estaria dotado de uma alma animal, que seria sua herança biológica e se expressaria em seu patrimônio genético. No curso de sua existência, desenvolveria inevitavelmente uma alma causal específica, que A teosofia, no âmbito das funções psíquicas, vincula à memória.

 

      Todavia, a alma espiritual não seria o resultado de uma determinação implícita no corpo físico (matéria básica ou mineral) e no biológico (o organismo capaz de se nutrir e se reproduzir), corno ocorre com as duas primeiras, mas uma opção que todos podemos realizar ou não: uma possibilidade de evolução cósmica que se o brinda para superar sua condição e se transformar num ser “sobre-humano” ou divino.

 

      Em resumo, segundo a teosofia o ser humano é em essência o Atmã ou espírito, que se reflete através da alma (causal) no corpo físico e cujo objetivo é a evolução da autoconsciência, que lhe permite construir ou desenvolver um tipo de veículo sutil superior (búdico), como passo prévio para a consecução de sua meta evolutiva (Atmã). Mas a alma, pese ser em si mesma energia, não está fisicamente num lugar diferente ao do corpo carnal nem numa porção deste, mas que o interpenetra em sua totalidade.

 

      Curiosamente, estamos diante o mesmo modelo que postula a denominada “medicina quântica”: o ser humano seria uma unidade na qual a entidade biológica (corpo físico) funciona graças à presença de um complexo cibernético (corpo energético) e entre ambos se realiza o processo vital. A atividade pensante se desenvolve no encéfalo. Os neurônios produzem uma espécie de “dispositivos” que funcionam como material virgem de gravação. Os estímulos recebidos se gravam nesses dispositivos e se comparam depois com os parâmetros do patrão de conduta (que está impresso em nossos programas vitais); por conseguinte se arquivam nos registros cerebrais. tal atividade também a realizariam os animais, entre os quais os primatas superiores (chimpanzé, gorila e orangotango) até mesmo apresentariam os rudimentos da autoconsciência (a capacidade de reconhecer sua imagem em um espelho). No ser humano, tanto a alma como a mente estariam localizadas no centro desse conjunto de esferas energéticas situadas no encéfalo, sem se confundir com seu suporte material.

 

      A “medicina quântica” de que falamos surgiu a partir das supostas comunicações, que, desde 1968, mantém a mexicana María do Socorro Pérez (“Maria”) com seres extradimensionais.

      Desde então, uma equipe de físicos, médicos e biólogos vêm estudando os conteúdos dessas mensagens, que pensam estão relacionados com alguns postulados da física quântica.

 

No começo do terceiro milênio, um número crescente de espiritualistas e de cientistas começa a intuir que o que chamamos alma transcende o mundo material, mas por sua vez se serve deste para se construir como uma entidade superior que sobrevive ao corpo físico. A chave reside em nossa capacidade para desenvolvê-la.